Fragmentos das táticas da cultura - técnica e política dos usos de mídia
As novas alternativas de agenciamentos que são caras as Mídias Táticas, tais como ambientes da internet, festivais, conferências, mostras e espaços públicos, são suportes que focam principalmente na noção quantitativa do esplendor das novidades (materiais e teóricas) e da reprodução do modelo da arte tradicional acrescido de um invólucro estético “novo”. O engajamento da filosofia da Mídia Tática nas obras de “arte e tecnologia”, nas chamadas por artigos científicos para publicações, na denominação de grupos que se inclinam mais pelo valor da classificação do que da inserção em um pensamento subversivo são sintomas da falha em considerar que as alternativas de uso sem propostas de inversão levaria à uma mudança na ordem social: “o progresso quantitativo absorve a diferença qualitativa entre liberdade possível e liberdades existentes”1. Modelos dados de antemão que procuram absorver o espírito da arte na sociedade opressora, são, para Marcuse, como “embelezamento organizado do feio, como invólucro decorativo do brutal”, e assim, vender arte para o centro cultural ou para a política pública mais próxima ou realizar o mais lucrativo (em termos de dinheiro ou status) e opulento festival que comemora a subversão da arte, servem somente como “artigo de consumo de massa e parece perder sua função transcendente, crítica, antagonistica.”2
Seria como se a Mídia Tática usasse uma lógica que aparecesse sem acontecer. Desta maneira carrega um certo ar de impotência em relação com uma intervenção, tanto no pensamento como nas ações, já que limita a junção destas esferas num presente possível. Enquanto “manifestação sensível da idéia”, as novas potencialidades culturais e materiais podem substituir a falsidade pela aparência própria à arte e assim prefigurar “a realidade e a verdade possível vindoura, (...) romper o sortilégio da falsa realidade existente.”3 Realizar o brado da “imaginação ao poder”, torna a arte uma espécie de “devir” Deleuzeano, substituindo a tecnologia da profundidade do presente por um atributo que tomam corpo sem se fixar.
Compreender a mídia e os acontecimentos que a circulam, é também inverter o pensamento sobre seu papel, realizando um tipo de sub-midia-logia, ou seja, a inversão do papel da mediação, ou ainda, a subversão da compreensão das relações dos meios. Enquanto as separações implícitas na mediação não forem liquidadas enquanto postulado, o devir se torna um presente fixo, imutável e remoto. E as relações com suas práticas serão somente continuidade de um processo que acontece sem aparecer.
1Marcuse, Herbert, “A sociedade como obra de arte”, op. cit.
2ibidem
3ibidem
| Anexo | Tamanho |
|---|---|
| dissertação_provisória.pdf | 1.46 MB |
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